domingo, 14 de setembro de 2014

A demência

A noção de demência refere-se a uma síndrome que se manifesta por um declínio adquirido das competências cognitivas. Em geral, encontra-se relacionada com mudanças de personalidade ou da conduta, com capacidade suficiente para prejudicar os indivíduos na execução das suas atividades quotidianas e na sua qualidade de vida.
Esta patologia expressa-se pela aquisição de inúmeros défices, sentidos pelo idoso, que levam a diminuição da sua memoria e das suas competências para a aprendizagem e afetam pelo menos uma das funções cognitivas do cérebro, como a afasia (deterioração da linguagem), apraxia (diminuição da competência para desenvolver movimentos ordenados e realizar ações voluntarias), agnosia (competência para o conhecimento através dos órgãos sensoriais) ou perturbações nas competências executivas da pessoa (planeamento, organização, sequenciação e abstração).
A degeneração cognitiva deve ser suficientemente prejudicial para modificar as relações sociais dos indivíduos e o seu comportamento. De acordo com estimativas da World Health Organization (2012), entre 2% e 10% de todos os casos de demência começam antes dos 65 anos de idade. A prevalência dobra a cada aumento de cinco anos na idade apos os 65. O numero de pessoas no mundo que viviam com demência em 2011 e estimado em 35,6 milhões e estudos epidemiológicos indicam que este numero devera crescer a uma taxa alarmante. Estima-se que o numero irá quase duplicar a cada vinte anos, subindo para 65,7 milhões em 2030 e 115,4 milhões em 2050.
As demências mais frequentes e também as mais conhecidas são a doença de Alzheimer e a de Parkinson, como vamos falar mais em pormenor a seguir.

sábado, 13 de setembro de 2014

O défice cognitivo ligeiro

As transformações ao nível cognitivo, que acontecem em resultado do envelhecimento das células do cérebro, atingem geralmente diversas funções básicas para a realização das atividades diárias, entre elas, a linguagem, a atenção, a orientação (espácio-temporal), a memoria e a aprendizagem.
No entanto, geralmente as transformações que ocorrem estão relacionadas com a redução da velocidade de processamento da informação e afetam principalmente a memoria de trabalho ou de curto prazo, a qual podemos definir como uma área cognitiva que possibilita a manutenção e elaboração da informação temporária sobre o meio ambiente que a rodeia e as memorias do passado distante. As alterações ocorridas a nível psíquico encontram-se
associadas a diminuição do funcionamento dos órgãos sensoriais, visão, olfato, audição, tato e paladar, que irão provocar uma degradação no modo como o idoso perceciona a realidade, o meio físico e o seu próprio organismo.
As mudanças que acontecem com a idade vão provocar no idoso uma redução da visão e da audição, provocando a uma maior dificuldade em estabelecer a chamada comunicação visual, a qual lhes permite conhecer os objetos, as noções e as conceções sobre o mundo a sua volta. As insuficiências auditivas quando acentuadas podem provocar problemas psicológicos e nas relações interpessoais, por causarem deficiências na comunicação e interação social com o outro, e diminuição na autoestima, podendo mesmo levar a pessoa ao isolamento e a auto exclusão de qualquer atividade societária.
O declínio da velocidade de propagação da informação entre as células do sistema nervoso central, da memoria de curto prazo e as modificações orgânicas ocorridas, vão restringir as competências que os indivíduos poderão empregar em diversas situações, constituindo uma deficiência intelectual associada à degeneração das células nervosas e ao processo de senescência provocado pela passagem dos anos.
O défice cognitivo ligeiro e um estado de transição entre o envelhecimento entendido como normal e o patológico. Nessa logica, as variáveis demográficas, como (idade, género educação), a historia familiar de demência e genética, a suscetibilidade a doenças que afetam o estado mental, como a depressão, e as características morfológicas ou funcionais, poderão ser uteis para a determinação da existência ou não de um declínio (Petersen, et. al., 2001).
Os idosos com esta alteração nas funções cognitivas não estão na totalidade das suas faculdades mentais, no entanto, ainda não existem critérios suficientes para ser diagnosticada uma demência, pois as pessoas com esta perturbação conseguem realizar com sucesso as suas atividades de vida ou ficam pouco afetadas, apenas com uma deterioração ligeira em uma ou diversas áreas do conhecimento.
No entanto, a prevalência desta perturbação cognitiva pode estar
na origem de demência, pelo que um diagnostico precoce poderá contribuir para uma intervenção ajustada, de forma a impedir o seu agravamento ou mesmo melhora-la, e um planeamento atempado das ações a serem desenvolvidas.

O tratamento desta deficiência intelectual deve ter como finalidade a manutenção da autonomia e independência do doente e suas das capacidades funcionais. Vai permitir que o idoso continue participativo e ativo na sua comunidade de origem, prevenir a sua evolução para a demência, melhorar a saúde mental do idoso e as condições de vida dos seus familiares, pela diminuição dos encargos que poderão vir a ter com o tratamento de uma doença cronica.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A doença mental cronica

A doença mental cronica pode ser entendida como uma patologia persistente por um espaço de tempo geralmente superior a seis meses, que não melhora num reduzido período de tempo. Estas enfermidades, apesar de não colocarem em perigo a
vida do doente num curto espaço de tempo e de não constituírem uma situação de emergência medica, por serem geralmente de evolução lenta e progressiva, vão prevalecer ao longo da existência da pessoa e contribuir para a formação de incapacidades diversas e para a perda de competências a nível psíquico, anatómico e bioquímico, sendo estas alterações consideradas irreversíveis e exequível apenas o seu tratamento e prevenção.
Face ao exposto, múltiplos determinantes ambientais poderão estar na sua origem, sendo a melhor forma de prevenir a existência destas doenças o seu diagnostico precoce, através do incremento de programas de educação e de politicas que tenham como finalidade o apoio ao idoso, no sentido destes aprenderem a fazer o seu próprio tratamento e prevenção (por exemplo, ações de formação sobre doenças cronicas, entrega de folhetos informativos sobre os tratamentos e os cuidados a serem realizados e as ajudas técnicas existentes). A pratica de atividades físicas regulares, adequadas ao seu estado físico, também poderão contribuir para a melhoria do bem-estar da pessoa na sua totalidade.
A existência destas enfermidades encontra-se geralmente associada a fatores psicossociais e biológicos, a fracas condições materiais (problemas financeiros), a más condições habitacionais e a desigualdades sociais. Todos estes fatores podem ter efeitos adversos sobre o prestigio subjetivo, orgulho e status social, afetando sentimentos de controlo, autoestima e qualidade dos contactos sociais, o que pode comprometer a sua saúde física e mental (Groffen, et. al., 2011).

Neste contexto, uma autoestima elevada e um maior apoio a população idosa poderão contribuir para uma diminuição da incidência destas patologias e para um envelhecimento mais autónomo e feliz, constituindo um estimulo a manutenção de hábitos saudáveis, da capacidade funcional e do seu próprio autocuidado. Através de um maior controle do stress e da ansiedade, existira a possibilidade de continuar a exercer a sua cidadania ativa na sociedade onde esta inserido, tendo uma melhor qualidade de vida.

domingo, 7 de setembro de 2014

O voluntariado senior


O voluntario e o jovem, adulto ou idoso que desenvolve diferentes atividades não remuneradas no contexto de uma instituição promotora, movido pelo seu impulso solidário e sentido de cidadania, de maneira consciente e humanitária, em prol da comunidade.
A atividade voluntaria contribui para a melhoria do funcionamento da sociedade e da saúde do idoso em geral (física e psíquica) ao contribuir para a melhoria da sua autoestima e das relações interpessoais. A possibilidade de alargar a sua rede de contactos sociais vai permitir‑lhe voltar a ter um papel ativo na vida em comunidade, sentir‑se útil e não uma pessoa marginalizada em função da sua condição de idosa. Sentir‑se‑a alguém que esta inserido num grupo que tem como objetivo o bem comum.
Estudos desenvolvidos pela United Nations Organization (2011) defendem que as relações reciprocas, através de ajuda mutua, levam a níveis mais elevados de saúde, em particular através do aumento da autoconfiança, que pode resultar da ajuda mutua e pode ser relacionada com uma melhor saúde mental e bem‑estar geral. As taxas de mortalidade eram também inferiores em comparação com os não voluntários da mesma idade, independentemente do estado civil, escolaridade ou género.
Os idosos podem realizar as mais diversas atividades voluntarias, consoante as suas competências, disponibilidade e estado de saúde.
Os voluntários seniores executam geralmente voluntariado nas áreas da ação social (apoiam jovens e adolescentes em dificuldades, idosos ou visitam pessoas doentes), educação (desenvolvem programas de alfabetização para idosos, realizam atividades lúdicas, trabalhos manuais, auxiliam na formação profissional e educacional de crianças, jovens e adultos) e saúde (programas de promoção da saúde e prevenção da doença, desenvolvendo atividades que promovam a satisfação das necessidades das pessoas hospitalizadas e evitando situações que conduzam a degradação da saúde do doente), entre outras.
O voluntariado sénior permite ainda o convívio intergeracional e a transmissão de valores éticos, morais e de cidadania as gerações mais jovens, que e uma condição essencial para o desenvolvimento sustentável de toda uma sociedade. A condição de melhoria do bem‑estar humano não deve estar só assente em pressupostos económicos, mas em preceitos sociais, ecológicos, de justiça social e politicas sustentáveis, que não ponham em risco o futuro de todos os seres humanos.
Nesse sentido, as instituições de apoio social, creches, lares de idosos e hospitais deveriam estimular o desenvolvimento do voluntariado sénior, devido ao aumento da longevidade das pessoas, com o consequente envelhecimento das populações. A atividade voluntaria pode dar um sentido novo a existência dos idosos, proporcionando momentos de boa disposição, prevenindo a existência de doenças associadas ao envelhecimento e diminuindo os gastos que os estados tem com a saúde, possibilitando uma
melhoria da qualidade de vida das pessoas que o exercem e do ambiente das instituições que incentivam a sua pratica.

A Acão voluntaria constitui a expressão de solidariedade mais relevante que o ser humano pode ter para com o seu semelhante, independentemente da sua raça, cor, credo, religião ou etnia. Nesse âmbito, o voluntario sénior pode contribuir com a experiencia e sabedoria de toda uma vida para a educação e transmissão de princípios considerados intemporais e que são muitas vezes esquecidos pelo consumismo dos nossos dias.

sábado, 6 de setembro de 2014

As atividades de animação sociocultural

A Animação Sociocultural e um programa de atividades sociais executado em lares e centros de apoio ao idoso, com o intuito de favorecer a cooperação e mobilização de pessoas e grupos no seu próprio processo de desenvolvimento e evolução da vida quotidiana, nas suas mais diversas vertentes (ambiental, politico, social, educativo), contribuindo para a sua adaptação e integração na organização a que passaram a pertencer como membros ativos, através da ocupação de algum do seu tempo livre com jogos didáticos, bailes, grupos corais, teatro, trabalhos manuais, jardinagem, poesia, contar historias de outros tempos, jogos de cartas, damas, passeios, xadrez, domino, chinquilho, entre outras.
Estas atividades em grupo dão aos idosos a possibilidade de poderem participar em momentos de convívio, lazer, diversão, distração, criatividade, amizade e solidariedade.
A adaptação e a competência da pessoa para ajustar o seu comportamento as condições externas do ambiente físico e social, tirando o melhor proveito dele, sem nunca perder a sua estabilidade psíquica. Este termo também pode ser utilizado na vida comunitária, para podermos compreender a forma como os idosos procuram ajustar as suas próprias necessidades e a maneira de proceder em relação a complexidade de fenómenos sociais existentes na sociedade em que estão inseridos.
O processo de ajustamento humano inclui a capacidade de incorporação na sua estrutura interna de novas normas, valores e modelos de comportamento, para manter o seu equilíbrio interno e se poder adequar a um ambiente diferente daquele a que esta habituado.
Neste contexto, a institucionalização para os idosos constitui um local diferente, com regras próprias, costumes e preceitos sociais distintos, a que terão de se ajustar, muitas vezes com transtornos adaptativos de alguma gravidade e o desenvolvimento de sinais e sintomas característicos desta dificuldade, como agitação, humor melancólico, angustia, desanimo, baixa autoestima e um sentimento de fraqueza e falta de coragem para enfrentar os problemas do seu dia a dia, com dificuldades em estabelecer relações sociais e em encontrar um sentido para a sua própria existência.
Para Egg (2002) a animação sociocultural deve ser entendida como um estimulo físico e emocional, que em determinado setor motiva as pessoas a participarem num conjunto de experiencias, com a finalidade de lhes permitir expandir‑se e expressar a sua personalidade, desenvolvendo o sentimento de pertença a uma comunidade, sobre a qual pode exercer uma certa influencia.
Nessa linha de ideias, a grande finalidade destas ações é a de inserir e adequar pessoas ou grupos, constituindo estes programas espaços abertos onde todos podem cooperar como participantes, em função de objetivos comuns e para a mudança de comportamentos, preconceitos, maneiras de pensar e viver a vida.
Não serão doentes de uma determinada instituição, mas pessoas ativas e integradas numa organização. As atividades lúdicas de expressão artística e cultural possibilitam também a melhoria total da saúde do idoso, pela redução dos tempos de ociosidade, monotonia, apatia, alienação social, angustia e stress quotidiano, tao comuns nas situações de internamento, levando-o a recuperar a sua sensação de utilidade e de bem-estar subjetivo.


A atividade física


A atividade física pode-se designar como toda e qualquer ação corporal desenvolvida pelo movimento dos músculos esqueléticos, que tenha um dispêndio de energia maior do que quando o corpo se encontra em repouso.
A velhice e caracterizada por alterações progressivas que tem inicio mesmo antes da nascença, que se vão desenvolvendo ao longo da existência e que se acentuam mais na fase final da vida, atingindo a estrutura física, mental e social dos indivíduos. As competências psíquicas das pessoas também vão sofrendo transformações com a passagem dos anos, que se caracterizam, geralmente, por uma maior dificuldade em se adaptar a alterações rápidas, morosidade no desempenho de atividades intelectuais, redução da autoestima, diminuição das funções cognitivas (maior dificuldade na aquisição, organização e aplicação da informação, com diminuição da memoria de trabalho), e uma maior suscetibilidade a doenças, como depressão major, demências, esquizofrenia, ansiedade patológica, hipocondria, entre outras.
Segundo recomendações da World Health Organization (2010) a pratica de atividades físicas ou de lazer a partir dos 65 anos, como caminhar, andar de bicicleta, trabalho (se a pessoa ainda o puder realizar), tarefas de casa, brincadeiras, desporto ou exercícios planeados, no contexto das atividades diárias, da família e da comunidade, pode permitir melhorar a capacidade funcional do idoso, a atividade cardiorrespiratória e muscular, e diminuir o risco da incidência de doenças não transmissíveis, depressão, diabetes, declínio cognitivo, acidente vascular cerebral, cancro do colon e da mama, entre outras.
Nessa perspetiva, a atividade pode ser de extrema importância para o idoso por ter efeitos positivos sobre o bem-estar psicológico, por criar condições propicias a uma maior oxigenação das células nervosas do cérebro (com efeitos positivos sobre a capacidade cognitiva), possibilitar o desenvolvimento de condições propicias ao relaxamento psíquico, ao diminuir o stress, a ansiedade e o desânimo, estimular a sensação de bem-estar, e por melhorar a autonomia e a auto imagem do idoso (possibilitando o aumento ou a manutenção das suas competências físicas, mentais e sociais).

A ocupação dos tempos livres com exercícios facilita também o desenvolvimento das relações interpessoais, permitindo uma melhor integração do idoso na vida em sociedade e constituindo uma alternativa ao isolamento, a exclusão social, a solidão, a inatividade e ao envelhecimento patológico, provocado por doenças e comportamentos de risco para a saúde, como o consumo de álcool e tabaco. Desta forma, previnem-se as doenças cronicas e é possível constituir um projeto de realização pessoal alternativo as múltiplas perdas de natureza psicossocial (do emprego, da saúde, do lar ao ser institucionalizado, do cônjuge, de amigos, da autoestima, entre outras), sendo proporcionada a pessoa a possibilidade de fazer novos amigos e aumentar a sua rede de suporte informal.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A noção de envelhecimento ativo


O conceito de envelhecimento ativo, segundo a World Health Organization (2002), refere-se a um conjunto de politicas desenvolvidas por este organismo, que pretende otimizar as oportunidades de acesso a saúde, a participação na sociedade de acordo com as necessidades, desejos e capacidades individuais, e a segurança e cuidados quando e precisa assistência.
Esta noção tem a finalidade de melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas e aplica-se tanto a indivíduos isolados como a grupos, permitindo as pessoas acreditarem no seu potencial físico, mental e social. A palavra “ativo” refere-se a participação continua na vida comunitária, económica, cultural, espiritual e assuntos cívicos, não apenas com a capacidade de ser fisicamente ativo, mas também de continuar a exercer uma atividade profissional.
 As pessoas mais velhas aposentadas e os que se encontram doentes ou possuem alguma deficiência podem permanecer ativos para as suas famílias, comunidades e colegas, dando o seu contributo a sociedade.
Neste contexto, a manutenção da atividade pode contribuir para aumentar a expectativa de uma vida saudável e com condições para todas as pessoas a medida que envelhecem, incluindo aqueles que se encontram em situação de fragilidade, deficientes ou a necessitar de cuidados, estimulando a solidariedade e a entreajuda entre gerações diferentes.
Para Ballesteros, Robine, Walker e Kalache (2012), os fatores genéticos são responsáveis em cerca de 25% pelo envelhecimento do organismo e os de origem ambiental por 75%, nesse sentido, a ausência de hábitos prejudiciais a saúde, como a falta de exercício físico, o tabagismo ou a obesidade, estaria associada a um atraso da deficiência que excederia significativamente o adiamento da mortalidade de seis a nove anos.
Nessa perspetiva, a melhor forma de se conseguir ter uma velhice saudável e estando ativo. A manutenção de exercícios físicos contribui para a melhoria das articulações, da circulação sanguínea e das vias respiratórias. Devemos também referir a alimentação equilibrada, a prevenção do uso de drogas, o repouso e o acompanhamento medico adequado como fatores determinantes para uma melhor qualidade de vida.
O bem-estar psíquico abrange o funcionamento adequado das competências cognitivas, como a memoria e as capacidades intelectuais, e a prevenção do seu decréscimo leva a uma autoestima positiva.

A atividade pode contribuir para prevenir ou retardar as doenças cronicas da população idosa, permitindo uma diminuição dos encargos das famílias, dos serviços de saúde e da segurança social.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Pobreza e desigualdade social

O processo de envelhecimento e comum a todos os seres humanos, no entanto, as circunstancias em que ocorre e diferente da idade cronológica, sendo condicionado por determinantes biopsicossociais, como o género, a condição socioeconómica, as politicas sociais, as habilitações académicas, a região onde se reside (urbana ou rural), a estrutura e o suporte familiares, os comportamentos de risco, a raça e a etnia.
A pobreza e um estado de privação por carência ou dificuldades na aquisição de serviços, como habitação ou saneamento básico, acesso a cuidados de saúde, ensino, alimentação adequada e de meios económicos, que permitam a sobrevivência de indivíduos, famílias e populações. A indigência atinge principalmente os idosos, por deixarem a vida profissional ativa e estarem dependentes de uma pensão atribuída pelo estado, cujo valor e muitas vezes insuficiente para os bens de primeira necessidade e para o tratamento dos problemas de saúde físicos e psíquicos associados ao envelhecimento, que necessitam de um maior apoio medico (terapia medicamentosa) e de cuidados assistenciais.
As múltiplas carências especificas deste grupo etário levam também a um aumento das despesas por parte do estado em infraestruturas e serviços adequados à população idosa, centros de dia, lares, serviços de apoio domiciliário, unidades de apoio integrado, programas de cuidados continuados, entre outros.
Neste contexto, a diminuição dos subsídios sociais atribuídos aos idosos pelo estado nos países desenvolvidos e a degradação das condições socioeconómicas tem levado muitos idosos a viverem em situações de miséria, a que se juntam os filhos, muitas vezes deficientes, desempregados ou divorciados, contribuindo para o agravar das já difíceis condições de vida em que se encontra uma grande percentagem da população idosa.
Segundo dados do I.N.E. (2013), o limiar de pobreza registou um decréscimo nominal de 1% em 2011, de acordo com os resultados do Inquérito as Condições de Vida e Rendimento (EU‑SILC) realizado em 2012, observando-se uma taxa de pobreza de 17,9%, valor próximo do estimado para os dois anos anteriores.
A insuficiência de rendimento das pessoas em risco de pobreza face ao rendimento liquido monetário mediano (taxa de intensidade da pobreza) foi de 24,7%, com um aumento de 1,5 p.p., superior ao verificado em 2010. O contributo das transferências sociais, relacionadas com a doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social para a redução da taxa de risco de pobreza em 2011 foi ligeiramente inferior ao estimado no ano anterior (7,3 p.p. face a 7,4 p.p.).
Não surpreende, desse modo, que se assista na atualidade a um reavivar da solidariedade entre as famílias, a um reforço da importância dada ao idoso e a uma maior entreajuda entre os seus membros, para poderem sobreviver as condições adversas da crise global em que nos vivemos, que ultrapassa o domínio económico, sendo também ética, social, politica, de valores e, essencialmente, de humanidade.
Nessa perspetiva, seria necessário um maior apoio dos governos aos idosos, por a velhice ser caracterizada por um decréscimo das competências físicas, como a diminuição da memoria de trabalho e das competências cognitivas, associadas geralmente a lentidão do sistema nervoso central, à perda de autonomia, a suscetibilidade a doenças relacionadas com o processo de envelhecimento, e as famílias, por serem a célula básica da sociedade.
A manutenção do sistema da segurança social e a qualidade de vida da população idosa deveria ser uma das prioridades dos governos, apoiando uma sociedade mais justa, com menores riscos de desemprego de longa duração, pobreza e desigualdades sociais.
A existência de um estado social esta dependente da capacidade das faixas etárias mais novas gerarem recursos que possam contribuir para melhorar as condições de vida das pessoas na velhice.
Desde logo, podemos concluir que o estado de pobreza em que se encontra grande parte desta faixa etária e da sociedade portuguesa se deve ao pouco investimento dos estados em politicas sociais de apoio as classes mais desfavorecidas e aos idosos em especial. São pessoas que tem direito a proteção social, a igualdade de direitos e de oportunidades, a uma residência adequada e a um rendimento atribuído pelo estado que lhes permita ter uma existência com qualidade de vida, e esta e uma verdade inconveniente, que a classe politica procura esconder ou a não dar a devida importância, apoiando apenas o desenvolvimento económico.
As desigualdades neste período da vida estão bem patentes nas sociedades atuais, pela falta de equidade nas áreas socioeconómicas e na distribuição do rendimento disponível para os idosos, no acesso aos cuidados de saúde, a educação e a uma alimentação equilibrada.  Segundo um estudo realizado em Inglaterra, por Stansfeld et. al. (2003), o grau de sintomas depressivos foi totalmente explicado por fatores de risco, incluindo as características de trabalho, desvantagem material, apoios sociais e comportamentos de risco, podendo-se também verificar nas mulheres uma relação entre a existência de
depressão e o funcionamento físico, que foi significativamente mais elevada nas classes mais baixas.
Nesse âmbito, a questão das diferenças sociais entre a população idosa verifica-se em múltiplas áreas da vida, abrangendo fatores políticos, económicos, culturais e sociais. Trata-se de um grupo social heterogéneo e com grandes discrepâncias no acesso aos bens e serviços da comunidade. Nesta perspetiva, seria fundamental que os estados desenvolvessem mais politicas publicas centradas nas pessoas e nos fatores que estão na origem das dificuldades na utilização dos recursos da sociedade em condições de igualdade, no sentido de promover a equidade entre todos os seres humanos.

De acordo com os princípios seguidos pela United Nations Organization (1991), todos os seres humanos devem ter acesso a uma alimentação adequada, agua, casa, roupa, atendimento medico quando necessário, um salario adequado, apoio da família e da comunidade para a sua autossuficiência, programas educativos e formação apropriada, uma vida com segurança adaptada as suas preferências pessoais, consoante a sua capacidade para se adaptar as mudanças, e a morar na sua própria casa o tempo que for possível. Todas estas são condições essenciais para viver com dignidade na ultima fase da vida.

domingo, 24 de agosto de 2014

O papel dos avós nas famílias contemporâneas


A função social dos avos dentro da família é determinada por uma serie de preceitos, princípios e obrigações que estabelecem o seu comportamento em relação aos outros membros que constituem o agregado familiar. O papel executado pelos idosos nem sempre foi o mesmo, pois ao longo dos tempos as funções atribuídas aos avos mudaram, com a evolução da família. Até aos anos sessenta era usual a coabitação num mesmo espaço de parentes de diversas gerações, com normas e deveres definidos pelos seus membros. O casamento e o estabelecer de uma vida autónoma não os isentava de compromissos para com os seus pais na velhice.
No entanto, a partir dessa década, verificou-se uma mudança profunda na estrutura familiar, passando a família nuclear a ser composta apenas pelos pais e pelos filhos, devido a diversos fatores demográficos e socioeconómicos, entre os quais a emancipação da mulher e o emprego fora de casa, o aumento dos divórcios e dos nascimentos fora do casamento, a diminuição do número de filhos por mulher e a aceitação pela sociedade das uniões de facto, deixando ao estado e as intuições que apoiam o idoso o dever de solidariedade e apoio na doença que antes eram dados pelos seus familiares.
As funções dos avos dentro da família foram-se também alterando para acompanhar as mudanças ocorridas na sociedade, tendo os idosos, quando em bom estado de saúde, uma influencia cada vez maior dentro do agregado familiar, pelo apoio económico disponibilizado as famílias e pela ajuda concedida na educação dos netos.
Os avos ocupam com frequência o lugar dos pais a tempo inteiro por ausência dos progenitores, em famílias disfuncionais, na ocorrência de acontecimentos trágicos ou perda de um dos progenitores, quando existem netos nascidos de mães adolescentes, em casos de incapacidade psicológica dos pais para educarem as crianças, doença ou insuficiência física, problemas de toxicodependência e em situações de divorcio.
Os avos mostram um valor incondicional, uma disponibilidade continuada e, acima de tudo, uma tranquilidade relacional baseada na experiencia, tornando singular o seu relacionamento com os netos em muitas famílias e transformando-se numa ajuda providencial (Sampaio, 2008).
Neste contexto, o papel dos avos na atualidade e o de contribuir para a estabilidade das famílias do nosso tempo, sendo essenciais na divulgação da herança familiar aos netos e na formação da sua personalidade, ao permitirem com a sua experiencia e apoio emocional transmitam as gerações mais jovens valores éticos, morais e cívicos, que serviram de base a socialização das gerações anteriores e que são condições fundamentais para uma melhor autoestima e um crescimento equilibrado dos netos.

Suicidio


O suicídio refere-se a um desejo particular da pessoa desistir de viver, que pode ser provocado por uma situação de elevado sofrimento com causas reais, como a existência de doenças cronicas e incapacitantes (diabetes, doenças pulmonares, cancro, doenças cardiovasculares, etc.) ou ter origem em problemas psíquicos, como os transtornos de humor (depressão, doença bipolar) ou as psicoses (alterações profundas da realidade, como a esquizofrenia paranoide). Estas enfermidades poderão ter aspetos ainda mais negativos, quando associadas ao consumo de substancias nocivas a saúde, como o álcool, o tabaco e as drogas, podendo potenciar a existência de comportamentos suicidas.
Estudos de investigação de Fleischmann, et. al. (2008) referem que no ano 2002 cerca de 877.000 mortes foram devidas a suicídio, a maioria dos quais (85%) ocorreram em países em baixos e médios recursos económicos. As tentativas de suicídio podem ser ate quarenta vezes mais frequentes do que as efetivamente finalizadas. Muitos das pessoas que tentaram o suicídio necessitaram de cuidados médicos e estão em alto risco de o concretizarem. Os ferimentos autoinfligidos representaram 1,4% da carga global de doenças em 2002 e espera-se que aumente para 2,4% em 2020.
Nesse sentido, o tratamento e prevenção da doença são conseguidos pela avaliação clinica do doente, feita por um profissional ligado a área da saúde mental. Geralmente, um psiquiatra executa um diagnostico a situação da pessoa e administra os procedimentos (médicos e psicoterapêuticos) ao estabelecer uma relação entre todos os condicionalismos (individuais, sociais, familiares e ambientais) que possam constituir a causa da intenção suicida, para posteriormente desenvolver um plano terapêutico.
Na origem desta patologia estão geralmente envolvidos diversos fatores culturais, sociodemográficos ou económicos, assim como acontecimentos traumáticos, entre outros. O homem, por natureza, necessita de viver em sociedade, o que contribui para uma maior incidência do suicídio na velhice. Uma progressiva diminuição da rede de suporte informal do idoso, formada por amigos, familiares e colegas de trabalho, leva-o a ver o suicídio como a única solução para a situação de isolamento e solidão em que se encontra. Nessa perspetiva, é necessaria a implementação de medidas para prevenir o suicídio, como o apoio domiciliário, a formação de grupos de autoajuda, um maior apoio das equipas multidisciplinares as  famílias, no sentido de melhorarem a sua relação com os idosos, e a criação de espaços de lazer, onde as pessoas possam praticar dança, conversar, ouvir musica, fazer novas amizades e serem inseridas na vida comunitária.

Envelhecer com qualidade de vida


O processo de envelhecimento e diferente em cada pessoa e esta condicionado por uma multiplicidade de fatores e hábitos de risco, que poderão contribuir para manter ou ate retardar a sua ação, como o consumo de álcool e tabaco, a obesidade e a inatividade. Também determinados fatores sociais, como a solidão, a exclusão social ou o isolamento, poderão tornar a pessoa mais vulnerável a doença, a incapacidade e a depressão nesta fase da vida.
O conceito de qualidade de vida é o critério utilizado para aferir as condições em que vivem todos os seres humanos e esta relacionado com as condições materiais, como a habitação e o saneamento básico, o estado de saúde, as condições económicas, a educação, as sociodemográficas (idade, estado civil, sexo, etnia) e sociais (as relações interpessoais com a família, amigos, vizinhos). Todos estes fatores poderão contribuir para influenciar a maneira como os idosos interpretam a vida e se relacionam com os outros e com eles próprios, constituindo o que se chama “bem‑estar psicológico”.
Esta noção procura definir a perceção avaliativa que o idoso tem da sua própria existência, através da sua satisfação com a vida(valorização cognitiva) e da afetividade (atitudes manifestadas em relação a essa mesma avaliação), onde pode ser bastante influenciado por fatores ambientais e socioculturais e pelo seu estado de saúde (mental e físico), constituindo um aspeto subjetivo que poderá influenciar a sua saúde e felicidade.
Nessa linha de pensamento, um estudo de investigação de Araújo e Ribeiro (2011) refere que, apesar do comprometimento da capacidade funcional e do aumento de distress psicológico, as pessoas com 80 anos ou mais não apresentam, necessariamente, uma saúde física pior, nem uma autoavaliação mais pessimista do seu estado de saúde, especialmente quando se comparam a outras pessoas. Estes dados demonstram que os mais velhos parecem possuir capacidades que podem ser canalizadas e orientadas para prover a sua própria saúde, pelo que conhecer as características deste grupo, considerado a “elite biológica” da sua geração, permite identificar medidas de promoção de um envelhecimento bem sucedido.
Nesse âmbito, as politicas dos estados deveriam estar direcionadas para a melhoria das estruturas de apoio a população idosa, pois uma vida saudável e os comportamentos a ela associados ocorrem num sistema complexo de relações a vários níveis: individual, comunitário, ecológico e das organizações. Nessa perspetiva, e por a população idosa ser bastante heterogénea em relação ao estado de saúde, seriam necessárias mais campanhas de promoção da saúde, orientadas por equipas de profissionais das mais diversas áreas (assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, médicos, entre outros) que pudessem sensibilizar a população idosa para comportamentos e formas de viver mais saudáveis e ecológicas.
A mudança para um estilo de vida ativa adequado as competências físicas e psíquicas do idoso, como a pratica de atividades em grupo, de animação sociocultural, jogos, pintura, leitura ou escrita, poderão constituir um estimulo a capacidade cognitiva do idoso, de forma a diminuir a incidência de doenças cronicas, melhorar a qualidade de vida e a forma como avalia a sua existência, constituindo um ganho para todos nos, pela possibilidade de termos pessoas autónomas durante mais anos, que possam dar o seu contributo à sociedade.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Isolamento e Solidão


O isolamento social refere-se a ausência de integração social de grupos ou indivíduos, provocada pelo afastamento em relação a restante comunidade, por dificuldades de relação e pela utilização de normas e valores diferentes dos que são utilizados na sociedade a qual pertencem.
A solidão é uma sensação subjetiva de vazio existencial, que esta relacionada com a compreensão individual de cada pessoa, em relação a ausência de redes sociais e pessoas livres com quem compartilhar atividades e praticas que lhes possam proporcionar uma oportunidade de participar na vida social e de desenvolver relações afetivas.
O isolamento e a solidão na velhice encontram‑se geralmente associadas ao declínio das competências biológicas e emocionais próprias desta fase etária, que vão prejudicar a sua capacidade em estabelecer relações interpessoais, a patologias como depressão, ansiedade patológica, demências, artroses, problemas de coluna, entre outros, e a fatores sociais e demográficos, como a saída dos filhos da casa dos pais, a diminuição do rendimento disponível com a aposentação, a perda de contactos sociais, o estado conjugal, o género, a redução da rede social pela perda de amigos e pessoas próximas, a exclusão social pela pobreza e a imagem preconceituosa que se mantem na nossa sociedade em relação as pessoas idosas.
As características psicológicas e de personalidade também podem influenciar a autoestima da pessoa, a sua maneira de pensar, comunicar, proceder, interpretar a vida e relacionar-se com os outros. Em geral, os idosos que vivem sós possuem uma visão negativa deles próprios, assim como da sociedade. São reservados e pouco comunicativos, interagem pouco com as outras pessoas, tem dificuldade em desenvolver relações intimas, isolam-se e tem tendência a viver na solidão.
Nesse âmbito, estudos de Steptoe, Shankar, Demakakos e Wardle (2012) defendem que os indivíduos isolados e solitários tendem a ter casamentos tardios, educação limitada, menor riqueza e a estarem mais sujeitos a doenças de coração, a doenças pulmonares cronicas, artrite, mobilidade reduzida e depressão.
Deste modo, será necessário que as famílias proporcionem um melhor auxilio a população idosa, como instituição que melhor conhece as necessidades dos seus membros, devendo prestar-lhe um apoio afetivo e instrumental, indispensável ao seu equilíbrio biopsicossocial e à sua ressocialização.

domingo, 17 de agosto de 2014

Autonomia e independência na velhice


O termo autonomia refere-se à competência que os indivíduos tem para tomarem as decisões por si próprios e para determinarem quais as normas e procedimentos mais adequados para si, independentemente da vontade dos outros.
A nível pessoal, na velhice a autonomia esta comprometida pela existência de incapacidades resultantes de deficiências provocadas pelo envelhecimento biológico ou psicológico. Este processo de degeneração das células e dos tecidos faz com que os organismos se tornem mais vulneráveis (envelhecimento primário), mas também promove ou inicia a ocorrência de deficiências (envelhecimento secundário). Nessa perspetiva, as intervenções a realizar devem contribuir para prevenir, atrasar ou compensar o processo de declínio funcional e as suas competências biopsicossociais (Herbert, 1997).
Em relação ao exposto, o conceito de independência refere-se à aptidão do idoso para executar todas as atividades diárias indispensáveis a sua sobrevivência, sem necessitar do auxilio de terceiros. Estas as noções estão ligadas a saúde da pessoa e a manutenção da qualidade de vida desta faixa etária, caracterizada por profundas alterações orgânicas, anatómicas, químicas, neurológicas, psicológicas e sociais, resultando geralmente na diminuição da capacidade funcional dos seres humanos para a realização de tarefas mais complexas.
Na velhice, esta competência encontra-se associada as atividades diárias fundamentais a sua existência, como alimentar-se, cozinhar, vestir-se sozinho, fazer a higiene pessoal, andar, manter a continência dos esfíncteres anais e urinários, constituindo um aspeto essencial para a avaliação das necessidades do idoso e da ajuda a ser disponibilizada pelos serviços sociais e de saúde.
A dependência esta relacionada com a incapacidade do idoso em realizar as principais atividades básicas quotidianas, necessitando do apoio de outras pessoas. A maior incidência desta problemática na população idosa deve-se a doenças e incapacidades provocadas pelo envelhecimento e à existência de situações sociais adversas (solidão, abandono, pobreza, exclusão social, maus tratos, negligencia, dependência de familiares ou da ajuda das instituições de solidariedade social, entre outras).
Desta forma, qualquer intervenção a ser realizada no sentido de melhorar as condições sociais e o estado de saúde do idoso deve procurar atender sempre ao contexto sociocultural, ambiental e económico, as politicas de apoio existentes, as condições habitacionais, as instituições de saúde existentes, as atividades de lazer que realiza, as relações que mantem com a família, aos vínculos sociais estabelecidos com vizinhos, amigos e outras pessoas próximas, por forma a permitir uma abrangência total das suas necessidades.
Um envelhecimento bem sucedido esta relacionado com a existência de uma baixa ocorrência de enfermidades ou incapacidades associadas a doença, pois mantendo as funções físicas e psíquicas elevadas o idoso possuirá um compromisso ativo com a vida. Nessa logica, será necessário, com a finalidade de lhe proporcionar uma melhor qualidade de vida, dar mais oportunidades ao idoso de participar ativamente na vida comunitária, de manter o seu papel ativo dentro da família, de fazer novas amizades e de alargar a sua rede de contactos informais, melhorando assim a sua autoestima, a
maneira como avalia a sua existência e a sua saúde e possibilitando-lhe que viva com melhor autonomia e independência.

Envelhecer, um processo natural da vida

 
Envelhecer constitui um processo natural da vida e acontece gradualmente ao longo do tempo. As alterações associadas a idade manifestam-se de maneira diferente em cada individuo, em idades mais jovens ou mais avançadas. Enquanto algumas pessoas envelhecem quase sem perdas de competências, outros sofrem de enfermidades e incapacidades ou estão dependentes de terceiros para quase todas as atividades vitais.
O envelhecimento não se restringe a uma transformações exclusivamente biológica, pois as condições socioeconómicas, a vida pessoal, as habilitações escolares e a atividade profissional exercida poderão contribuir para atrasar ou adiantar a sua ação nesse sentido, pelo que podemos considerar dois tipos de envelhecimento: o normal e o patológico.
O considerado normal não e uma doença, mas uma sucessão de alterações biológicas que acontecem sem estarem associadas a uma patologia. Embora possam existir alterações no organismo das pessoas, estas continuam a ser competentes a nível físico e mental, sendo capazes de viver de maneira autónoma e com boa qualidade de vida. No entanto, estas modificações contribuem para a vulnerabilidade dos idosos a determinadas enfermidades, como a doença de Alzheimer, cuja frequência duplica a cada cinco anos apos os sessenta e cinco. A mesma relação pode ser estabelecida
para a maioria dos tipos de cancro, doenças cardíacas ou renais, diabetes, entre outras (Kaeberlein, 2013).
O envelhecimento patológico refere-se às mudanças provocadas pelas doenças associadas a um determinado grupo etário e que são independentes das transformações consideradas normais. Estão relacionadas com o declínio característico das funções provocadas pelo processo de senescência normal, podendo contribuir para a diminuição da capacidade funcional e causar um aumento da necessidade de cuidados de saúde e de apoio de outras pessoas para a realização das atividades diárias.

Exclusão e discriminação social


A sociedade em que todos vivemos e formada por um conjunto de pessoas que habitam numa determinada área, com valores, convicções, cultura, ideologia, tradições e religião semelhantes, constituindo uma identidade comum e uma organização própria, que a distingue das outras comunidades.
A partir deste conceito, poderíamos pressupor que todos os indivíduos estariam integrados e seriam valorizados de igual modo, por terem os mesmos traços que os identificam como pessoas, no entanto continuam a existir, mesmo em sociedades ditas desenvolvidas, distinções entre os seres vivos em função da sua cultura, raça, opção sexual, etnia, género, religião, crenças, entre outras.
A discriminação social contra os idosos devese a diversos preconceitos existentes na nossa sociedade em relação a idade, assentes em pressupostos e estereótipos de que os mesmos são “inúteis”, “como as crianças”, “senis” ou “doentes”, mesmo quando não possuem qualquer doença ou incapacidade. Todas estas ideias preconcebidas contribuem para a visão negativa que a comunidade tem da velhice, que deveria ser vista como um fenómeno normal da nossa existência, pois nascemos, logo, envelhecemos.
O termo exclusão social e utilizado para designar os problemas e dificuldades de integração de um determinado grupo ou etnia, que estão na origem da sua discriminação social e do isolamento a que estão sujeitos por parte da sociedade instituída. Os idosos constituem um grupo etário em risco de exclusão devido a imagem preconceituosa que permanece na nossa sociedade, pela situação de fragilidade em que se encontram, devido a perda de papeis e estatuto social, a existência de doenças, a falta de apoios da família e do estado, à inatividade e redução do rendimento financeiro pela aposentação, e a dificuldade em conseguirem adaptarse as inovações e em dialogar com as gerações mais jovens.
A ideia de que os idosos são incapazes ou de que se encontram em declínio físico e psíquico esta relacionada com a tendência das gerações mais novas para a sua marginalização, devido a crenças criadas em relação a velhice, numa sociedade que apenas da valor à juventude, ao sucesso, a eficácia, a aparência, a capacidade física e intelectual, e aos bens económicos e de consumo imediato. E esta a imagem transmitida diariamente pela comunicação social, tem  contribuindo para a difusão desta forma de pensamento, em que o idoso e colocado a margem da nossa sociedade, devido a idade que tem.
O termo “idadismo” esta relacionado com o preconceito em relação a idade, tao comum nas comunidades ocidentais. Segundo Binstock (2010), o preconceito de idade referese a atribuição das mesmas características, status e comportamentos a um grupo heterogéneo como é o dos “idosos”. Tende a construir um estereotipo e a generalizar a todas as pessoas deste grupo etário.
Nesse sentido, a imagem discriminatória criada e a marginalização a que o idoso esta sujeito na sua vida diária, levando a que eles mesmos considerem a velhice como um período negro da sua existência, associado a tristeza, a morte, a inatividade, a dependência dos outros, a enfermidade e a incapacidades diversas.
As crenças negativas transmitidas ao longo de anos poderão ter influencia sobre a sua autoestima e na forma como avaliam a sua existência. Nessa linha de raciocínio, será preciso desenvolver uma nova mentalidade nas populações, para a construção de uma humanidade mais igualitária, justa e solidaria para todos, que permita uma maior participação dos idosos na vida social e familiar, no sentido de melhorar a sua autoestima e de os integrar na sociedade, evitando situações de completo isolamento, doença, pobreza e exclusão social, como as que atingem grande faixa da população idosa.
A perceção da velhice de uma forma natural pode contribuir para uma melhor aceitação desta etapa da vida, sendo benéfico destacar os aspetos positivos, como o conhecimento adquirido ao longo da vida, o tempo disponível para ajudar os netos, a ausência de compromissos e de atividade profissional, e de uma maior estabilidade e equilíbrio emocional.