O processo de envelhecimento e comum a todos os seres humanos,
no entanto, as circunstancias em que ocorre e diferente da idade cronológica,
sendo condicionado por determinantes biopsicossociais, como o género, a condição
socioeconómica, as politicas sociais, as habilitações académicas, a região onde
se reside (urbana ou rural), a estrutura e o suporte familiares, os comportamentos
de risco, a raça e a etnia.
A pobreza e um estado de privação por carência ou
dificuldades na aquisição de serviços, como habitação ou saneamento básico, acesso
a cuidados de saúde, ensino, alimentação adequada e de meios económicos, que
permitam a sobrevivência de indivíduos, famílias e populações. A indigência
atinge principalmente os idosos, por deixarem a vida profissional ativa e
estarem dependentes de uma pensão atribuída pelo estado, cujo valor e muitas
vezes insuficiente para os bens de primeira necessidade e para o tratamento dos
problemas de saúde físicos e psíquicos associados ao envelhecimento, que
necessitam de um maior apoio medico (terapia medicamentosa) e de cuidados
assistenciais.
As múltiplas carências especificas deste grupo etário levam
também a um aumento das despesas por parte do estado em infraestruturas e serviços
adequados à população idosa, centros de dia, lares, serviços de apoio domiciliário,
unidades de apoio integrado, programas de cuidados continuados, entre outros.
Neste contexto, a diminuição dos subsídios sociais atribuídos
aos idosos pelo estado nos países desenvolvidos e a degradação das condições socioeconómicas
tem levado muitos idosos a viverem em situações de miséria, a que se juntam os
filhos, muitas vezes deficientes, desempregados ou divorciados, contribuindo
para o agravar das já difíceis condições de vida em que se encontra uma grande
percentagem da população
idosa.
Segundo dados do I.N.E. (2013), o limiar de pobreza registou
um decréscimo nominal de 1% em 2011, de acordo com os resultados do Inquérito
as Condições de Vida e Rendimento (EU‑SILC) realizado em 2012, observando-se
uma taxa de pobreza de 17,9%, valor próximo do estimado para os dois anos
anteriores.
A insuficiência de rendimento das pessoas em risco de
pobreza face ao rendimento liquido monetário mediano (taxa de intensidade da
pobreza) foi de 24,7%, com um aumento de 1,5 p.p., superior ao verificado em
2010. O contributo das transferências sociais, relacionadas com a doença e
incapacidade, família, desemprego e inclusão social para a redução da taxa de
risco de pobreza em 2011 foi ligeiramente inferior ao estimado no ano anterior
(7,3 p.p. face a 7,4 p.p.).
Não surpreende, desse modo, que se assista na atualidade a um
reavivar da solidariedade entre as famílias, a um reforço da importância dada
ao idoso e a uma maior entreajuda entre os seus membros, para poderem
sobreviver as condições adversas da crise global em que nos vivemos, que
ultrapassa o domínio económico, sendo também ética, social, politica, de
valores e, essencialmente, de humanidade.
Nessa perspetiva, seria necessário um maior apoio dos
governos aos idosos, por a velhice ser caracterizada por um decréscimo das competências
físicas, como a diminuição da memoria de trabalho e das competências
cognitivas, associadas geralmente a lentidão do sistema nervoso central, à
perda de autonomia, a suscetibilidade a doenças relacionadas com o processo de
envelhecimento, e as famílias, por serem a célula básica da sociedade.
A manutenção do sistema da segurança
social e a qualidade de vida da população idosa deveria ser uma das prioridades
dos governos, apoiando uma sociedade mais justa, com menores riscos de
desemprego de longa duração, pobreza e desigualdades sociais.
A existência de um estado social
esta dependente da capacidade das faixas etárias mais novas gerarem recursos
que possam contribuir para melhorar as condições de vida das pessoas na
velhice.
Desde logo, podemos concluir que o estado de pobreza em que
se encontra grande parte desta faixa etária e da sociedade portuguesa se deve
ao pouco investimento dos estados em politicas sociais de apoio as classes mais
desfavorecidas e aos idosos em especial. São pessoas que tem direito a proteção
social, a igualdade de direitos e de oportunidades, a uma residência adequada e
a um rendimento atribuído pelo estado que lhes permita ter uma existência com qualidade
de vida, e esta e uma verdade inconveniente, que a classe politica procura
esconder ou a não dar a devida importância, apoiando apenas o desenvolvimento económico.
As desigualdades neste período da vida estão bem patentes
nas sociedades atuais, pela falta de equidade nas áreas socioeconómicas e na distribuição
do rendimento disponível para os idosos, no acesso aos cuidados de saúde, a educação
e a uma alimentação equilibrada. Segundo
um estudo realizado em Inglaterra, por Stansfeld et. al.
(2003), o grau de sintomas depressivos foi totalmente explicado por fatores de
risco, incluindo as características de trabalho, desvantagem material, apoios
sociais e comportamentos de risco, podendo-se também verificar nas mulheres uma
relação entre a existência de
depressão e o funcionamento físico, que foi significativamente
mais elevada nas classes mais baixas.
Nesse âmbito, a questão das diferenças sociais entre a população
idosa verifica-se em múltiplas áreas da vida, abrangendo fatores políticos, económicos,
culturais e sociais. Trata-se de um grupo social heterogéneo e com grandes discrepâncias
no acesso aos bens e serviços da comunidade. Nesta perspetiva, seria
fundamental que os estados desenvolvessem mais politicas publicas centradas nas
pessoas e nos fatores que estão na origem das dificuldades na utilização dos
recursos da sociedade em condições de igualdade, no sentido de promover a
equidade entre todos os seres humanos.
De acordo com os princípios seguidos pela United Nations Organization (1991), todos os seres humanos
devem ter acesso a
uma alimentação adequada, agua,
casa, roupa, atendimento medico
quando necessário, um salario
adequado, apoio da família e da
comunidade para a sua autossuficiência,
programas educativos e
formação apropriada, uma vida com segurança
adaptada as suas
preferências pessoais, consoante a
sua capacidade para se adaptar as mudanças,
e a morar na sua própria casa o tempo que for possível. Todas estas são condições essenciais para viver com
dignidade na ultima fase da vida.
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