domingo, 24 de agosto de 2014

O papel dos avós nas famílias contemporâneas


A função social dos avos dentro da família é determinada por uma serie de preceitos, princípios e obrigações que estabelecem o seu comportamento em relação aos outros membros que constituem o agregado familiar. O papel executado pelos idosos nem sempre foi o mesmo, pois ao longo dos tempos as funções atribuídas aos avos mudaram, com a evolução da família. Até aos anos sessenta era usual a coabitação num mesmo espaço de parentes de diversas gerações, com normas e deveres definidos pelos seus membros. O casamento e o estabelecer de uma vida autónoma não os isentava de compromissos para com os seus pais na velhice.
No entanto, a partir dessa década, verificou-se uma mudança profunda na estrutura familiar, passando a família nuclear a ser composta apenas pelos pais e pelos filhos, devido a diversos fatores demográficos e socioeconómicos, entre os quais a emancipação da mulher e o emprego fora de casa, o aumento dos divórcios e dos nascimentos fora do casamento, a diminuição do número de filhos por mulher e a aceitação pela sociedade das uniões de facto, deixando ao estado e as intuições que apoiam o idoso o dever de solidariedade e apoio na doença que antes eram dados pelos seus familiares.
As funções dos avos dentro da família foram-se também alterando para acompanhar as mudanças ocorridas na sociedade, tendo os idosos, quando em bom estado de saúde, uma influencia cada vez maior dentro do agregado familiar, pelo apoio económico disponibilizado as famílias e pela ajuda concedida na educação dos netos.
Os avos ocupam com frequência o lugar dos pais a tempo inteiro por ausência dos progenitores, em famílias disfuncionais, na ocorrência de acontecimentos trágicos ou perda de um dos progenitores, quando existem netos nascidos de mães adolescentes, em casos de incapacidade psicológica dos pais para educarem as crianças, doença ou insuficiência física, problemas de toxicodependência e em situações de divorcio.
Os avos mostram um valor incondicional, uma disponibilidade continuada e, acima de tudo, uma tranquilidade relacional baseada na experiencia, tornando singular o seu relacionamento com os netos em muitas famílias e transformando-se numa ajuda providencial (Sampaio, 2008).
Neste contexto, o papel dos avos na atualidade e o de contribuir para a estabilidade das famílias do nosso tempo, sendo essenciais na divulgação da herança familiar aos netos e na formação da sua personalidade, ao permitirem com a sua experiencia e apoio emocional transmitam as gerações mais jovens valores éticos, morais e cívicos, que serviram de base a socialização das gerações anteriores e que são condições fundamentais para uma melhor autoestima e um crescimento equilibrado dos netos.

Suicidio


O suicídio refere-se a um desejo particular da pessoa desistir de viver, que pode ser provocado por uma situação de elevado sofrimento com causas reais, como a existência de doenças cronicas e incapacitantes (diabetes, doenças pulmonares, cancro, doenças cardiovasculares, etc.) ou ter origem em problemas psíquicos, como os transtornos de humor (depressão, doença bipolar) ou as psicoses (alterações profundas da realidade, como a esquizofrenia paranoide). Estas enfermidades poderão ter aspetos ainda mais negativos, quando associadas ao consumo de substancias nocivas a saúde, como o álcool, o tabaco e as drogas, podendo potenciar a existência de comportamentos suicidas.
Estudos de investigação de Fleischmann, et. al. (2008) referem que no ano 2002 cerca de 877.000 mortes foram devidas a suicídio, a maioria dos quais (85%) ocorreram em países em baixos e médios recursos económicos. As tentativas de suicídio podem ser ate quarenta vezes mais frequentes do que as efetivamente finalizadas. Muitos das pessoas que tentaram o suicídio necessitaram de cuidados médicos e estão em alto risco de o concretizarem. Os ferimentos autoinfligidos representaram 1,4% da carga global de doenças em 2002 e espera-se que aumente para 2,4% em 2020.
Nesse sentido, o tratamento e prevenção da doença são conseguidos pela avaliação clinica do doente, feita por um profissional ligado a área da saúde mental. Geralmente, um psiquiatra executa um diagnostico a situação da pessoa e administra os procedimentos (médicos e psicoterapêuticos) ao estabelecer uma relação entre todos os condicionalismos (individuais, sociais, familiares e ambientais) que possam constituir a causa da intenção suicida, para posteriormente desenvolver um plano terapêutico.
Na origem desta patologia estão geralmente envolvidos diversos fatores culturais, sociodemográficos ou económicos, assim como acontecimentos traumáticos, entre outros. O homem, por natureza, necessita de viver em sociedade, o que contribui para uma maior incidência do suicídio na velhice. Uma progressiva diminuição da rede de suporte informal do idoso, formada por amigos, familiares e colegas de trabalho, leva-o a ver o suicídio como a única solução para a situação de isolamento e solidão em que se encontra. Nessa perspetiva, é necessaria a implementação de medidas para prevenir o suicídio, como o apoio domiciliário, a formação de grupos de autoajuda, um maior apoio das equipas multidisciplinares as  famílias, no sentido de melhorarem a sua relação com os idosos, e a criação de espaços de lazer, onde as pessoas possam praticar dança, conversar, ouvir musica, fazer novas amizades e serem inseridas na vida comunitária.

Envelhecer com qualidade de vida


O processo de envelhecimento e diferente em cada pessoa e esta condicionado por uma multiplicidade de fatores e hábitos de risco, que poderão contribuir para manter ou ate retardar a sua ação, como o consumo de álcool e tabaco, a obesidade e a inatividade. Também determinados fatores sociais, como a solidão, a exclusão social ou o isolamento, poderão tornar a pessoa mais vulnerável a doença, a incapacidade e a depressão nesta fase da vida.
O conceito de qualidade de vida é o critério utilizado para aferir as condições em que vivem todos os seres humanos e esta relacionado com as condições materiais, como a habitação e o saneamento básico, o estado de saúde, as condições económicas, a educação, as sociodemográficas (idade, estado civil, sexo, etnia) e sociais (as relações interpessoais com a família, amigos, vizinhos). Todos estes fatores poderão contribuir para influenciar a maneira como os idosos interpretam a vida e se relacionam com os outros e com eles próprios, constituindo o que se chama “bem‑estar psicológico”.
Esta noção procura definir a perceção avaliativa que o idoso tem da sua própria existência, através da sua satisfação com a vida(valorização cognitiva) e da afetividade (atitudes manifestadas em relação a essa mesma avaliação), onde pode ser bastante influenciado por fatores ambientais e socioculturais e pelo seu estado de saúde (mental e físico), constituindo um aspeto subjetivo que poderá influenciar a sua saúde e felicidade.
Nessa linha de pensamento, um estudo de investigação de Araújo e Ribeiro (2011) refere que, apesar do comprometimento da capacidade funcional e do aumento de distress psicológico, as pessoas com 80 anos ou mais não apresentam, necessariamente, uma saúde física pior, nem uma autoavaliação mais pessimista do seu estado de saúde, especialmente quando se comparam a outras pessoas. Estes dados demonstram que os mais velhos parecem possuir capacidades que podem ser canalizadas e orientadas para prover a sua própria saúde, pelo que conhecer as características deste grupo, considerado a “elite biológica” da sua geração, permite identificar medidas de promoção de um envelhecimento bem sucedido.
Nesse âmbito, as politicas dos estados deveriam estar direcionadas para a melhoria das estruturas de apoio a população idosa, pois uma vida saudável e os comportamentos a ela associados ocorrem num sistema complexo de relações a vários níveis: individual, comunitário, ecológico e das organizações. Nessa perspetiva, e por a população idosa ser bastante heterogénea em relação ao estado de saúde, seriam necessárias mais campanhas de promoção da saúde, orientadas por equipas de profissionais das mais diversas áreas (assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, médicos, entre outros) que pudessem sensibilizar a população idosa para comportamentos e formas de viver mais saudáveis e ecológicas.
A mudança para um estilo de vida ativa adequado as competências físicas e psíquicas do idoso, como a pratica de atividades em grupo, de animação sociocultural, jogos, pintura, leitura ou escrita, poderão constituir um estimulo a capacidade cognitiva do idoso, de forma a diminuir a incidência de doenças cronicas, melhorar a qualidade de vida e a forma como avalia a sua existência, constituindo um ganho para todos nos, pela possibilidade de termos pessoas autónomas durante mais anos, que possam dar o seu contributo à sociedade.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Isolamento e Solidão


O isolamento social refere-se a ausência de integração social de grupos ou indivíduos, provocada pelo afastamento em relação a restante comunidade, por dificuldades de relação e pela utilização de normas e valores diferentes dos que são utilizados na sociedade a qual pertencem.
A solidão é uma sensação subjetiva de vazio existencial, que esta relacionada com a compreensão individual de cada pessoa, em relação a ausência de redes sociais e pessoas livres com quem compartilhar atividades e praticas que lhes possam proporcionar uma oportunidade de participar na vida social e de desenvolver relações afetivas.
O isolamento e a solidão na velhice encontram‑se geralmente associadas ao declínio das competências biológicas e emocionais próprias desta fase etária, que vão prejudicar a sua capacidade em estabelecer relações interpessoais, a patologias como depressão, ansiedade patológica, demências, artroses, problemas de coluna, entre outros, e a fatores sociais e demográficos, como a saída dos filhos da casa dos pais, a diminuição do rendimento disponível com a aposentação, a perda de contactos sociais, o estado conjugal, o género, a redução da rede social pela perda de amigos e pessoas próximas, a exclusão social pela pobreza e a imagem preconceituosa que se mantem na nossa sociedade em relação as pessoas idosas.
As características psicológicas e de personalidade também podem influenciar a autoestima da pessoa, a sua maneira de pensar, comunicar, proceder, interpretar a vida e relacionar-se com os outros. Em geral, os idosos que vivem sós possuem uma visão negativa deles próprios, assim como da sociedade. São reservados e pouco comunicativos, interagem pouco com as outras pessoas, tem dificuldade em desenvolver relações intimas, isolam-se e tem tendência a viver na solidão.
Nesse âmbito, estudos de Steptoe, Shankar, Demakakos e Wardle (2012) defendem que os indivíduos isolados e solitários tendem a ter casamentos tardios, educação limitada, menor riqueza e a estarem mais sujeitos a doenças de coração, a doenças pulmonares cronicas, artrite, mobilidade reduzida e depressão.
Deste modo, será necessário que as famílias proporcionem um melhor auxilio a população idosa, como instituição que melhor conhece as necessidades dos seus membros, devendo prestar-lhe um apoio afetivo e instrumental, indispensável ao seu equilíbrio biopsicossocial e à sua ressocialização.

domingo, 17 de agosto de 2014

Autonomia e independência na velhice


O termo autonomia refere-se à competência que os indivíduos tem para tomarem as decisões por si próprios e para determinarem quais as normas e procedimentos mais adequados para si, independentemente da vontade dos outros.
A nível pessoal, na velhice a autonomia esta comprometida pela existência de incapacidades resultantes de deficiências provocadas pelo envelhecimento biológico ou psicológico. Este processo de degeneração das células e dos tecidos faz com que os organismos se tornem mais vulneráveis (envelhecimento primário), mas também promove ou inicia a ocorrência de deficiências (envelhecimento secundário). Nessa perspetiva, as intervenções a realizar devem contribuir para prevenir, atrasar ou compensar o processo de declínio funcional e as suas competências biopsicossociais (Herbert, 1997).
Em relação ao exposto, o conceito de independência refere-se à aptidão do idoso para executar todas as atividades diárias indispensáveis a sua sobrevivência, sem necessitar do auxilio de terceiros. Estas as noções estão ligadas a saúde da pessoa e a manutenção da qualidade de vida desta faixa etária, caracterizada por profundas alterações orgânicas, anatómicas, químicas, neurológicas, psicológicas e sociais, resultando geralmente na diminuição da capacidade funcional dos seres humanos para a realização de tarefas mais complexas.
Na velhice, esta competência encontra-se associada as atividades diárias fundamentais a sua existência, como alimentar-se, cozinhar, vestir-se sozinho, fazer a higiene pessoal, andar, manter a continência dos esfíncteres anais e urinários, constituindo um aspeto essencial para a avaliação das necessidades do idoso e da ajuda a ser disponibilizada pelos serviços sociais e de saúde.
A dependência esta relacionada com a incapacidade do idoso em realizar as principais atividades básicas quotidianas, necessitando do apoio de outras pessoas. A maior incidência desta problemática na população idosa deve-se a doenças e incapacidades provocadas pelo envelhecimento e à existência de situações sociais adversas (solidão, abandono, pobreza, exclusão social, maus tratos, negligencia, dependência de familiares ou da ajuda das instituições de solidariedade social, entre outras).
Desta forma, qualquer intervenção a ser realizada no sentido de melhorar as condições sociais e o estado de saúde do idoso deve procurar atender sempre ao contexto sociocultural, ambiental e económico, as politicas de apoio existentes, as condições habitacionais, as instituições de saúde existentes, as atividades de lazer que realiza, as relações que mantem com a família, aos vínculos sociais estabelecidos com vizinhos, amigos e outras pessoas próximas, por forma a permitir uma abrangência total das suas necessidades.
Um envelhecimento bem sucedido esta relacionado com a existência de uma baixa ocorrência de enfermidades ou incapacidades associadas a doença, pois mantendo as funções físicas e psíquicas elevadas o idoso possuirá um compromisso ativo com a vida. Nessa logica, será necessário, com a finalidade de lhe proporcionar uma melhor qualidade de vida, dar mais oportunidades ao idoso de participar ativamente na vida comunitária, de manter o seu papel ativo dentro da família, de fazer novas amizades e de alargar a sua rede de contactos informais, melhorando assim a sua autoestima, a
maneira como avalia a sua existência e a sua saúde e possibilitando-lhe que viva com melhor autonomia e independência.

Envelhecer, um processo natural da vida

 
Envelhecer constitui um processo natural da vida e acontece gradualmente ao longo do tempo. As alterações associadas a idade manifestam-se de maneira diferente em cada individuo, em idades mais jovens ou mais avançadas. Enquanto algumas pessoas envelhecem quase sem perdas de competências, outros sofrem de enfermidades e incapacidades ou estão dependentes de terceiros para quase todas as atividades vitais.
O envelhecimento não se restringe a uma transformações exclusivamente biológica, pois as condições socioeconómicas, a vida pessoal, as habilitações escolares e a atividade profissional exercida poderão contribuir para atrasar ou adiantar a sua ação nesse sentido, pelo que podemos considerar dois tipos de envelhecimento: o normal e o patológico.
O considerado normal não e uma doença, mas uma sucessão de alterações biológicas que acontecem sem estarem associadas a uma patologia. Embora possam existir alterações no organismo das pessoas, estas continuam a ser competentes a nível físico e mental, sendo capazes de viver de maneira autónoma e com boa qualidade de vida. No entanto, estas modificações contribuem para a vulnerabilidade dos idosos a determinadas enfermidades, como a doença de Alzheimer, cuja frequência duplica a cada cinco anos apos os sessenta e cinco. A mesma relação pode ser estabelecida
para a maioria dos tipos de cancro, doenças cardíacas ou renais, diabetes, entre outras (Kaeberlein, 2013).
O envelhecimento patológico refere-se às mudanças provocadas pelas doenças associadas a um determinado grupo etário e que são independentes das transformações consideradas normais. Estão relacionadas com o declínio característico das funções provocadas pelo processo de senescência normal, podendo contribuir para a diminuição da capacidade funcional e causar um aumento da necessidade de cuidados de saúde e de apoio de outras pessoas para a realização das atividades diárias.

Exclusão e discriminação social


A sociedade em que todos vivemos e formada por um conjunto de pessoas que habitam numa determinada área, com valores, convicções, cultura, ideologia, tradições e religião semelhantes, constituindo uma identidade comum e uma organização própria, que a distingue das outras comunidades.
A partir deste conceito, poderíamos pressupor que todos os indivíduos estariam integrados e seriam valorizados de igual modo, por terem os mesmos traços que os identificam como pessoas, no entanto continuam a existir, mesmo em sociedades ditas desenvolvidas, distinções entre os seres vivos em função da sua cultura, raça, opção sexual, etnia, género, religião, crenças, entre outras.
A discriminação social contra os idosos devese a diversos preconceitos existentes na nossa sociedade em relação a idade, assentes em pressupostos e estereótipos de que os mesmos são “inúteis”, “como as crianças”, “senis” ou “doentes”, mesmo quando não possuem qualquer doença ou incapacidade. Todas estas ideias preconcebidas contribuem para a visão negativa que a comunidade tem da velhice, que deveria ser vista como um fenómeno normal da nossa existência, pois nascemos, logo, envelhecemos.
O termo exclusão social e utilizado para designar os problemas e dificuldades de integração de um determinado grupo ou etnia, que estão na origem da sua discriminação social e do isolamento a que estão sujeitos por parte da sociedade instituída. Os idosos constituem um grupo etário em risco de exclusão devido a imagem preconceituosa que permanece na nossa sociedade, pela situação de fragilidade em que se encontram, devido a perda de papeis e estatuto social, a existência de doenças, a falta de apoios da família e do estado, à inatividade e redução do rendimento financeiro pela aposentação, e a dificuldade em conseguirem adaptarse as inovações e em dialogar com as gerações mais jovens.
A ideia de que os idosos são incapazes ou de que se encontram em declínio físico e psíquico esta relacionada com a tendência das gerações mais novas para a sua marginalização, devido a crenças criadas em relação a velhice, numa sociedade que apenas da valor à juventude, ao sucesso, a eficácia, a aparência, a capacidade física e intelectual, e aos bens económicos e de consumo imediato. E esta a imagem transmitida diariamente pela comunicação social, tem  contribuindo para a difusão desta forma de pensamento, em que o idoso e colocado a margem da nossa sociedade, devido a idade que tem.
O termo “idadismo” esta relacionado com o preconceito em relação a idade, tao comum nas comunidades ocidentais. Segundo Binstock (2010), o preconceito de idade referese a atribuição das mesmas características, status e comportamentos a um grupo heterogéneo como é o dos “idosos”. Tende a construir um estereotipo e a generalizar a todas as pessoas deste grupo etário.
Nesse sentido, a imagem discriminatória criada e a marginalização a que o idoso esta sujeito na sua vida diária, levando a que eles mesmos considerem a velhice como um período negro da sua existência, associado a tristeza, a morte, a inatividade, a dependência dos outros, a enfermidade e a incapacidades diversas.
As crenças negativas transmitidas ao longo de anos poderão ter influencia sobre a sua autoestima e na forma como avaliam a sua existência. Nessa linha de raciocínio, será preciso desenvolver uma nova mentalidade nas populações, para a construção de uma humanidade mais igualitária, justa e solidaria para todos, que permita uma maior participação dos idosos na vida social e familiar, no sentido de melhorar a sua autoestima e de os integrar na sociedade, evitando situações de completo isolamento, doença, pobreza e exclusão social, como as que atingem grande faixa da população idosa.
A perceção da velhice de uma forma natural pode contribuir para uma melhor aceitação desta etapa da vida, sendo benéfico destacar os aspetos positivos, como o conhecimento adquirido ao longo da vida, o tempo disponível para ajudar os netos, a ausência de compromissos e de atividade profissional, e de uma maior estabilidade e equilíbrio emocional.

A definição de envelhecimento

Este conceito, para Rose (1991), pode ser entendido como um declínio persistente, numa idade especifica, de componentes de aptidão de um organismo, devido a uma deterioração fisiológica interna. Isto significa que começamos a envelhecer logo a partir do nascimento. E um processo individual diferente em cada pessoa, causado pela atividade do tempo sobre os organismos, com alterações de natureza biológica, psicológica e social. Nessa linha de ideias, podemos diferenciar três tipos de envelhecimento:
− O biológico, provocado pela degradação gradual das competências de ajustamento da sua anatomia física, onde se assiste posteriormente a um aumento progressivo da vulnerabilidade do corpo à doença e a incapacidade.
− O psicológico, que esta relacionado com as capacidades psicológicas que os indivíduos podem dispor para se adaptarem as mudanças do meio ambiente físico e social. Abrange, entre outras áreas ligadas a saúde mental, as funções cognitivas, a afetividade, a autonomia, as aptidões para a aprendizagem e a memoria, entre outras competências ligadas a estabilidade emocional.
− O social, que é o processo de mudança de funções, preceitos sociais e costumes, em conformidade com a sociedade e a cultura na qual esta inserido, em relação as expectativas e comportamentos geralmente esperados para as pessoas idosas.

Envelhecer


Envelhecer e uma palavra amplamente divulgada pelos meios de comunicação social dos nossos tempos, pelo envelhecimento da população mundial, provocado pelo crescimento da percentagem de idosos em relação as outras classes etárias. Esse aumento deve-se a redução da natalidade e a diminuição da percentagem de população jovem e em idade ativa, em relação ao aumento da Esperança media de vida, que se pode definir como o numero medio de anos que uma população tem a possibilidade de viver apos o nascimento.
De acordo com um estudo realizado pela World Health Organization, em 2011, o numero de pessoas com 65 anos (idade a partir da qual uma pessoa e considerada idosa para esta organização) ou mais, vai superar o numero de crianças com menos de 5 anos de idade, devido a diminuição das taxas de fertilidade e ao aumento notável da expectativa de vida, fazendo com que o envelhecimento da população mundial continue a aumentar. Esta previsto por esta organização que a percentagem de pessoas com 65 anos cresça de 524 milhões, em 2010, para quase 1,5 biliões, em 2050, com a maior parte do aumento a ocorrer nos países em desenvolvimento. Em Portugal, segundo dados do I.N.E. (2010), a evolução da população tem vindo a manifestar um continuo envelhecimento demográfico, como resultado das tendências de crescimento da longevidade e de declínio da fecundidade. A esperança media de vida a nascença aumentou 2,44 anos para ambos os sexos, entre os triénios 1999‑2001 e 2007‑2009, sendo esse acréscimo de 2,77 anos, no caso dos homens, e 2,11 anos no caso das mulheres, pelo que se estima para o triénio 2007‑2009 uma esperança media de vida a nascença de 75,8 anos para homens e 81,8 para mulheres. O envelhecimento demográfico a que se assiste na atualidade pode ser explicado pela evolução das diversas áreas do conhecimento apos o seculo XIX, com a revolução industrial, que levou a diminuição da natalidade e ao decréscimo da mortalidade infantil e das outras fases da vida em geral. A historia da humanidade nas sociedades pré-modernas foi marcada, desde sempre, por períodos de crescimento populacional relativamente lentos. A uma taxa de natalidade elevada correspondia uma de mortalidade quase de igual proporção. As guerras, os desastres naturais, a fome, as doenças infeciosas e o analfabetismo contribuíam para a manutenção do equilíbrio demográfico da população mundial, com uma população essencialmente jovem e uma percentagem reduzida de idosos.
As taxas de fertilidade eram de, aproximadamente, trinta a cinquenta nascimentos por mil habitantes e a longevidade das suas populações era variável, geralmente, entre os vinte e os quarenta anos. A evolução tecnológica, resultante da industrialização do mundo, possibilitou uma melhoria da qualidade de vida das populações, levando ao desenvolvimento de métodos anticoncecionais, ao planeamento familiar do numero de filhos e a progressos na área da química, das ciências em geral, da alimentação, das condições habitacionais de higiene e saneamento básico, da tecnologia e da medicina, com a descoberta de antibióticos e vacinas, que proporcionaram a cura de diversas doenças infeciosas, permitindo ás pessoas viverem saudáveis durante mais tempo.
O envelhecimento da população traz diversas consequências ao nível da saúde, economia e politica, como a diminuição da população ativa e da capacidade para a inovação, o aumento do conservadorismo politico, o crescimento dos encargos com a segurança social e a saúde. Nessa perspetiva, vamos procurar neste blog refletir sobre diversos assuntos relacionados com esta
problemática, no sentido de podermos melhorar as condições de vida do idoso e os conhecimentos existentes sobre esta fase da vida

sábado, 16 de agosto de 2014

Pior Velhice

Sou velha e triste. Nunca o alvorecer
 
Dum riso sao andou na minha boca!
 
Gritando que me acudam, em voz rouca,
 
Eu, naufraga da Vida, ando a morrer!
 
A Vida, que ao nascer, enfeita e touca
 
De alvas rosas a fronte da mulher,
 
Na minha fronte mistica de louca
 
Martirios so poisou a emurchecer!
 
E dizem que sou nova... A mocidade
 
Estará só, então, na nossa idade,
 
Ou esta em nos e em nosso peito mora?!
 
Tenho a pior velhice, a que e mais triste,
 
Aquela onde nem sequer existe
 
Lembrança de ter sido nova... outrora...
 
Florbela Espanca