A sociedade em que todos vivemos e
formada por um conjunto de pessoas que habitam numa determinada área, com
valores, convicções, cultura, ideologia, tradições e religião semelhantes, constituindo
uma identidade comum e uma organização própria, que a distingue das outras
comunidades.
A partir deste conceito, poderíamos
pressupor que todos os indivíduos estariam integrados e seriam valorizados de
igual modo, por terem os mesmos traços que os identificam como pessoas, no
entanto continuam a existir, mesmo em sociedades ditas desenvolvidas, distinções entre os seres
vivos em função da sua cultura, raça, opção sexual, etnia, género, religião, crenças,
entre outras.
A discriminação social contra os idosos
deve‑se
a diversos preconceitos existentes na nossa sociedade em relação a idade, assentes em pressupostos e estereótipos
de que os mesmos são “inúteis”, “como as crianças”, “senis” ou “doentes”, mesmo
quando
não possuem qualquer doença ou incapacidade.
Todas estas ideias preconcebidas contribuem para a visão negativa que a
comunidade tem
da velhice, que deveria ser vista como um fenómeno normal da
nossa existência, pois nascemos, logo,
envelhecemos.
O
termo exclusão social e utilizado para designar os problemas e dificuldades de integração
de um determinado grupo ou etnia, que estão na origem da sua discriminação
social e do isolamento a que estão sujeitos por parte da sociedade instituída.
Os idosos constituem um grupo etário em risco de exclusão devido a imagem preconceituosa
que permanece na nossa sociedade, pela situação de fragilidade em que se
encontram, devido a perda de papeis e estatuto
social, a existência de doenças, a falta de apoios da família e do estado, à
inatividade e redução do rendimento financeiro pela aposentação, e a
dificuldade em conseguirem adaptar‑se as inovações e em dialogar com as gerações
mais jovens.
A
ideia de que os idosos são incapazes ou de que se encontram em declínio físico
e psíquico esta relacionada com a tendência das gerações mais novas para a sua marginalização,
devido a crenças criadas em relação a velhice, numa sociedade que apenas da
valor à
juventude, ao sucesso, a eficácia, a aparência, a capacidade física e intelectual,
e aos bens económicos e de consumo imediato. E esta a imagem transmitida
diariamente pela comunicação social, tem contribuindo para a difusão desta forma de
pensamento, em que o idoso
e colocado a margem da nossa sociedade, devido a idade que tem.
O
termo “idadismo” esta relacionado com o preconceito em relação a idade, tao
comum nas comunidades ocidentais. Segundo Binstock (2010), o preconceito de
idade refere‑se a atribuição das mesmas características,
status e comportamentos a um grupo heterogéneo
como é o dos “idosos”. Tende a construir um estereotipo e a generalizar a todas
as pessoas deste grupo etário.
Nesse
sentido, a imagem discriminatória criada e a marginalização a que o idoso esta
sujeito na sua vida diária, levando a que eles mesmos considerem a velhice como
um período negro da
sua existência, associado a tristeza, a morte, a inatividade, a dependência dos
outros, a enfermidade e a incapacidades diversas.
As
crenças negativas transmitidas ao longo de anos poderão ter influencia sobre a
sua autoestima e na forma como avaliam a sua existência. Nessa
linha de raciocínio, será preciso desenvolver uma nova mentalidade nas populações,
para a construção de uma humanidade mais igualitária, justa e solidaria para
todos, que permita uma maior participação dos idosos na vida social e familiar,
no sentido de melhorar
a sua autoestima e de os integrar na sociedade, evitando situações de completo
isolamento, doença, pobreza e exclusão social, como as que atingem grande faixa
da população idosa.
A
perceção da velhice de uma forma natural pode contribuir para uma melhor aceitação
desta etapa da vida, sendo benéfico destacar os aspetos positivos, como o
conhecimento adquirido ao longo da vida, o tempo disponível para ajudar os
netos, a ausência de compromissos
e de atividade profissional, e de uma maior estabilidade e equilíbrio
emocional.
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