domingo, 17 de agosto de 2014

Exclusão e discriminação social


A sociedade em que todos vivemos e formada por um conjunto de pessoas que habitam numa determinada área, com valores, convicções, cultura, ideologia, tradições e religião semelhantes, constituindo uma identidade comum e uma organização própria, que a distingue das outras comunidades.
A partir deste conceito, poderíamos pressupor que todos os indivíduos estariam integrados e seriam valorizados de igual modo, por terem os mesmos traços que os identificam como pessoas, no entanto continuam a existir, mesmo em sociedades ditas desenvolvidas, distinções entre os seres vivos em função da sua cultura, raça, opção sexual, etnia, género, religião, crenças, entre outras.
A discriminação social contra os idosos devese a diversos preconceitos existentes na nossa sociedade em relação a idade, assentes em pressupostos e estereótipos de que os mesmos são “inúteis”, “como as crianças”, “senis” ou “doentes”, mesmo quando não possuem qualquer doença ou incapacidade. Todas estas ideias preconcebidas contribuem para a visão negativa que a comunidade tem da velhice, que deveria ser vista como um fenómeno normal da nossa existência, pois nascemos, logo, envelhecemos.
O termo exclusão social e utilizado para designar os problemas e dificuldades de integração de um determinado grupo ou etnia, que estão na origem da sua discriminação social e do isolamento a que estão sujeitos por parte da sociedade instituída. Os idosos constituem um grupo etário em risco de exclusão devido a imagem preconceituosa que permanece na nossa sociedade, pela situação de fragilidade em que se encontram, devido a perda de papeis e estatuto social, a existência de doenças, a falta de apoios da família e do estado, à inatividade e redução do rendimento financeiro pela aposentação, e a dificuldade em conseguirem adaptarse as inovações e em dialogar com as gerações mais jovens.
A ideia de que os idosos são incapazes ou de que se encontram em declínio físico e psíquico esta relacionada com a tendência das gerações mais novas para a sua marginalização, devido a crenças criadas em relação a velhice, numa sociedade que apenas da valor à juventude, ao sucesso, a eficácia, a aparência, a capacidade física e intelectual, e aos bens económicos e de consumo imediato. E esta a imagem transmitida diariamente pela comunicação social, tem  contribuindo para a difusão desta forma de pensamento, em que o idoso e colocado a margem da nossa sociedade, devido a idade que tem.
O termo “idadismo” esta relacionado com o preconceito em relação a idade, tao comum nas comunidades ocidentais. Segundo Binstock (2010), o preconceito de idade referese a atribuição das mesmas características, status e comportamentos a um grupo heterogéneo como é o dos “idosos”. Tende a construir um estereotipo e a generalizar a todas as pessoas deste grupo etário.
Nesse sentido, a imagem discriminatória criada e a marginalização a que o idoso esta sujeito na sua vida diária, levando a que eles mesmos considerem a velhice como um período negro da sua existência, associado a tristeza, a morte, a inatividade, a dependência dos outros, a enfermidade e a incapacidades diversas.
As crenças negativas transmitidas ao longo de anos poderão ter influencia sobre a sua autoestima e na forma como avaliam a sua existência. Nessa linha de raciocínio, será preciso desenvolver uma nova mentalidade nas populações, para a construção de uma humanidade mais igualitária, justa e solidaria para todos, que permita uma maior participação dos idosos na vida social e familiar, no sentido de melhorar a sua autoestima e de os integrar na sociedade, evitando situações de completo isolamento, doença, pobreza e exclusão social, como as que atingem grande faixa da população idosa.
A perceção da velhice de uma forma natural pode contribuir para uma melhor aceitação desta etapa da vida, sendo benéfico destacar os aspetos positivos, como o conhecimento adquirido ao longo da vida, o tempo disponível para ajudar os netos, a ausência de compromissos e de atividade profissional, e de uma maior estabilidade e equilíbrio emocional.

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