domingo, 24 de agosto de 2014

Envelhecer com qualidade de vida


O processo de envelhecimento e diferente em cada pessoa e esta condicionado por uma multiplicidade de fatores e hábitos de risco, que poderão contribuir para manter ou ate retardar a sua ação, como o consumo de álcool e tabaco, a obesidade e a inatividade. Também determinados fatores sociais, como a solidão, a exclusão social ou o isolamento, poderão tornar a pessoa mais vulnerável a doença, a incapacidade e a depressão nesta fase da vida.
O conceito de qualidade de vida é o critério utilizado para aferir as condições em que vivem todos os seres humanos e esta relacionado com as condições materiais, como a habitação e o saneamento básico, o estado de saúde, as condições económicas, a educação, as sociodemográficas (idade, estado civil, sexo, etnia) e sociais (as relações interpessoais com a família, amigos, vizinhos). Todos estes fatores poderão contribuir para influenciar a maneira como os idosos interpretam a vida e se relacionam com os outros e com eles próprios, constituindo o que se chama “bem‑estar psicológico”.
Esta noção procura definir a perceção avaliativa que o idoso tem da sua própria existência, através da sua satisfação com a vida(valorização cognitiva) e da afetividade (atitudes manifestadas em relação a essa mesma avaliação), onde pode ser bastante influenciado por fatores ambientais e socioculturais e pelo seu estado de saúde (mental e físico), constituindo um aspeto subjetivo que poderá influenciar a sua saúde e felicidade.
Nessa linha de pensamento, um estudo de investigação de Araújo e Ribeiro (2011) refere que, apesar do comprometimento da capacidade funcional e do aumento de distress psicológico, as pessoas com 80 anos ou mais não apresentam, necessariamente, uma saúde física pior, nem uma autoavaliação mais pessimista do seu estado de saúde, especialmente quando se comparam a outras pessoas. Estes dados demonstram que os mais velhos parecem possuir capacidades que podem ser canalizadas e orientadas para prover a sua própria saúde, pelo que conhecer as características deste grupo, considerado a “elite biológica” da sua geração, permite identificar medidas de promoção de um envelhecimento bem sucedido.
Nesse âmbito, as politicas dos estados deveriam estar direcionadas para a melhoria das estruturas de apoio a população idosa, pois uma vida saudável e os comportamentos a ela associados ocorrem num sistema complexo de relações a vários níveis: individual, comunitário, ecológico e das organizações. Nessa perspetiva, e por a população idosa ser bastante heterogénea em relação ao estado de saúde, seriam necessárias mais campanhas de promoção da saúde, orientadas por equipas de profissionais das mais diversas áreas (assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, médicos, entre outros) que pudessem sensibilizar a população idosa para comportamentos e formas de viver mais saudáveis e ecológicas.
A mudança para um estilo de vida ativa adequado as competências físicas e psíquicas do idoso, como a pratica de atividades em grupo, de animação sociocultural, jogos, pintura, leitura ou escrita, poderão constituir um estimulo a capacidade cognitiva do idoso, de forma a diminuir a incidência de doenças cronicas, melhorar a qualidade de vida e a forma como avalia a sua existência, constituindo um ganho para todos nos, pela possibilidade de termos pessoas autónomas durante mais anos, que possam dar o seu contributo à sociedade.

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