domingo, 17 de agosto de 2014

Autonomia e independência na velhice


O termo autonomia refere-se à competência que os indivíduos tem para tomarem as decisões por si próprios e para determinarem quais as normas e procedimentos mais adequados para si, independentemente da vontade dos outros.
A nível pessoal, na velhice a autonomia esta comprometida pela existência de incapacidades resultantes de deficiências provocadas pelo envelhecimento biológico ou psicológico. Este processo de degeneração das células e dos tecidos faz com que os organismos se tornem mais vulneráveis (envelhecimento primário), mas também promove ou inicia a ocorrência de deficiências (envelhecimento secundário). Nessa perspetiva, as intervenções a realizar devem contribuir para prevenir, atrasar ou compensar o processo de declínio funcional e as suas competências biopsicossociais (Herbert, 1997).
Em relação ao exposto, o conceito de independência refere-se à aptidão do idoso para executar todas as atividades diárias indispensáveis a sua sobrevivência, sem necessitar do auxilio de terceiros. Estas as noções estão ligadas a saúde da pessoa e a manutenção da qualidade de vida desta faixa etária, caracterizada por profundas alterações orgânicas, anatómicas, químicas, neurológicas, psicológicas e sociais, resultando geralmente na diminuição da capacidade funcional dos seres humanos para a realização de tarefas mais complexas.
Na velhice, esta competência encontra-se associada as atividades diárias fundamentais a sua existência, como alimentar-se, cozinhar, vestir-se sozinho, fazer a higiene pessoal, andar, manter a continência dos esfíncteres anais e urinários, constituindo um aspeto essencial para a avaliação das necessidades do idoso e da ajuda a ser disponibilizada pelos serviços sociais e de saúde.
A dependência esta relacionada com a incapacidade do idoso em realizar as principais atividades básicas quotidianas, necessitando do apoio de outras pessoas. A maior incidência desta problemática na população idosa deve-se a doenças e incapacidades provocadas pelo envelhecimento e à existência de situações sociais adversas (solidão, abandono, pobreza, exclusão social, maus tratos, negligencia, dependência de familiares ou da ajuda das instituições de solidariedade social, entre outras).
Desta forma, qualquer intervenção a ser realizada no sentido de melhorar as condições sociais e o estado de saúde do idoso deve procurar atender sempre ao contexto sociocultural, ambiental e económico, as politicas de apoio existentes, as condições habitacionais, as instituições de saúde existentes, as atividades de lazer que realiza, as relações que mantem com a família, aos vínculos sociais estabelecidos com vizinhos, amigos e outras pessoas próximas, por forma a permitir uma abrangência total das suas necessidades.
Um envelhecimento bem sucedido esta relacionado com a existência de uma baixa ocorrência de enfermidades ou incapacidades associadas a doença, pois mantendo as funções físicas e psíquicas elevadas o idoso possuirá um compromisso ativo com a vida. Nessa logica, será necessário, com a finalidade de lhe proporcionar uma melhor qualidade de vida, dar mais oportunidades ao idoso de participar ativamente na vida comunitária, de manter o seu papel ativo dentro da família, de fazer novas amizades e de alargar a sua rede de contactos informais, melhorando assim a sua autoestima, a
maneira como avalia a sua existência e a sua saúde e possibilitando-lhe que viva com melhor autonomia e independência.

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