As transformações ao nível cognitivo, que acontecem em resultado
do envelhecimento das células do cérebro, atingem geralmente diversas funções básicas
para a realização das atividades diárias, entre elas, a linguagem, a atenção, a
orientação (espácio-temporal), a memoria e a aprendizagem.
No entanto, geralmente as transformações que ocorrem estão relacionadas
com a redução da velocidade de processamento da informação e afetam
principalmente a memoria de trabalho ou de curto prazo, a qual podemos definir
como uma área cognitiva que possibilita a manutenção e elaboração da informação
temporária sobre o meio ambiente que a rodeia e as memorias do passado distante.
As alterações ocorridas a nível psíquico encontram-se
associadas a diminuição do funcionamento dos órgãos
sensoriais, visão, olfato, audição, tato e paladar, que irão provocar uma degradação
no modo como o idoso perceciona a realidade, o meio físico e o seu próprio organismo.
As mudanças que acontecem com a idade vão provocar no idoso
uma redução da visão e da audição, provocando a uma maior dificuldade em
estabelecer a chamada comunicação visual, a qual lhes permite conhecer os
objetos, as noções e as conceções sobre o mundo a sua volta. As insuficiências
auditivas quando acentuadas podem provocar problemas psicológicos e nas relações
interpessoais, por causarem deficiências na comunicação e interação social com
o outro, e diminuição na autoestima, podendo mesmo levar a pessoa ao isolamento
e a auto exclusão de qualquer atividade societária.
O declínio da velocidade de propagação da informação entre as
células do sistema nervoso central, da memoria de curto prazo e as modificações
orgânicas ocorridas, vão restringir as competências que os indivíduos poderão
empregar em diversas situações, constituindo uma deficiência intelectual
associada à degeneração das células nervosas e ao processo de senescência
provocado pela passagem dos anos.
O défice cognitivo ligeiro e um estado de transição entre o
envelhecimento entendido como normal e o patológico. Nessa logica, as variáveis
demográficas, como (idade, género educação), a historia familiar de demência e genética,
a suscetibilidade a doenças que afetam o estado mental, como a depressão, e as características
morfológicas ou funcionais, poderão ser uteis para a determinação da existência
ou não de um declínio (Petersen, et. al., 2001).
Os idosos com esta alteração nas funções cognitivas não estão
na totalidade das suas faculdades mentais, no entanto, ainda não existem critérios
suficientes para ser diagnosticada uma demência, pois as pessoas com esta perturbação
conseguem realizar com sucesso as suas atividades de vida ou ficam pouco
afetadas, apenas com uma deterioração ligeira em uma ou diversas áreas do conhecimento.
No entanto, a prevalência desta perturbação cognitiva pode
estar
na origem de demência, pelo que um diagnostico precoce poderá
contribuir para uma intervenção ajustada, de forma a impedir o seu agravamento
ou mesmo melhora-la, e um planeamento atempado das ações a serem desenvolvidas.
O tratamento desta deficiência intelectual deve ter como finalidade
a manutenção da autonomia e independência do doente e suas das capacidades
funcionais. Vai permitir que o idoso continue participativo e ativo na sua
comunidade de origem, prevenir a sua evolução para a demência, melhorar a saúde
mental do idoso e as condições de vida dos seus familiares, pela diminuição dos
encargos que poderão vir a ter com o tratamento de uma doença cronica.
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