sábado, 13 de setembro de 2014

O défice cognitivo ligeiro

As transformações ao nível cognitivo, que acontecem em resultado do envelhecimento das células do cérebro, atingem geralmente diversas funções básicas para a realização das atividades diárias, entre elas, a linguagem, a atenção, a orientação (espácio-temporal), a memoria e a aprendizagem.
No entanto, geralmente as transformações que ocorrem estão relacionadas com a redução da velocidade de processamento da informação e afetam principalmente a memoria de trabalho ou de curto prazo, a qual podemos definir como uma área cognitiva que possibilita a manutenção e elaboração da informação temporária sobre o meio ambiente que a rodeia e as memorias do passado distante. As alterações ocorridas a nível psíquico encontram-se
associadas a diminuição do funcionamento dos órgãos sensoriais, visão, olfato, audição, tato e paladar, que irão provocar uma degradação no modo como o idoso perceciona a realidade, o meio físico e o seu próprio organismo.
As mudanças que acontecem com a idade vão provocar no idoso uma redução da visão e da audição, provocando a uma maior dificuldade em estabelecer a chamada comunicação visual, a qual lhes permite conhecer os objetos, as noções e as conceções sobre o mundo a sua volta. As insuficiências auditivas quando acentuadas podem provocar problemas psicológicos e nas relações interpessoais, por causarem deficiências na comunicação e interação social com o outro, e diminuição na autoestima, podendo mesmo levar a pessoa ao isolamento e a auto exclusão de qualquer atividade societária.
O declínio da velocidade de propagação da informação entre as células do sistema nervoso central, da memoria de curto prazo e as modificações orgânicas ocorridas, vão restringir as competências que os indivíduos poderão empregar em diversas situações, constituindo uma deficiência intelectual associada à degeneração das células nervosas e ao processo de senescência provocado pela passagem dos anos.
O défice cognitivo ligeiro e um estado de transição entre o envelhecimento entendido como normal e o patológico. Nessa logica, as variáveis demográficas, como (idade, género educação), a historia familiar de demência e genética, a suscetibilidade a doenças que afetam o estado mental, como a depressão, e as características morfológicas ou funcionais, poderão ser uteis para a determinação da existência ou não de um declínio (Petersen, et. al., 2001).
Os idosos com esta alteração nas funções cognitivas não estão na totalidade das suas faculdades mentais, no entanto, ainda não existem critérios suficientes para ser diagnosticada uma demência, pois as pessoas com esta perturbação conseguem realizar com sucesso as suas atividades de vida ou ficam pouco afetadas, apenas com uma deterioração ligeira em uma ou diversas áreas do conhecimento.
No entanto, a prevalência desta perturbação cognitiva pode estar
na origem de demência, pelo que um diagnostico precoce poderá contribuir para uma intervenção ajustada, de forma a impedir o seu agravamento ou mesmo melhora-la, e um planeamento atempado das ações a serem desenvolvidas.

O tratamento desta deficiência intelectual deve ter como finalidade a manutenção da autonomia e independência do doente e suas das capacidades funcionais. Vai permitir que o idoso continue participativo e ativo na sua comunidade de origem, prevenir a sua evolução para a demência, melhorar a saúde mental do idoso e as condições de vida dos seus familiares, pela diminuição dos encargos que poderão vir a ter com o tratamento de uma doença cronica.

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